Parei por um instante, calei as músicas, rasguei as fotos, queimei as cartas, abri os olhos. Silenciosamente, caminhei contra minha face. Meu olhar refletia um brilho diferente, distante de todos que já haviam brilhado ali. Estava calmo demais, simples demais, sincero demais. Tudo parecia claro, as letras da minha alma passavam refletidas diante da minha pele e eu via minuciosamente cada pequeno detalhe daquelas palavras e contemplava, sorria ao ver escrito ao fim teu nome e uma interrogação, a ironia bateu no meu riso, não tinha sentido, não faz sentido. Não parei, não ia desistir, não ia calar naquele momento. Tudo clareava demais, as luzes refletiam abusadas, na minha frente, as paredes calavam curiosas, não podia fazer mais nada, não tinha mais perguntas não, melhor, eu nunca tinha as respostas. Sorrir gargalhadas sem graça e irônicas para tentar acalmar aquilo que acelerava o pulsar do meu peito parecia segredo, um desejo antigo, uma fonte perdida há tempos. Cada vez mais eu mergulhava naquele texto, encontrava vestígios, revelações... Aumentava minha ânsia de descobrir mais, eu não sabia como, nem porque, mas lá estavam respostas antigas que eu nunca soube procurar, lá estavam segredos ocultos que nem mesmo meu corpo sabia guardar pra mim. Tudo estava ali, nitidamente mostrado, e só agora percebi o quanto desconheço da minha mente, o quanto não sei da minha alma, só agora eu vi que tudo está em minhas mãos, tudo, simplesmente tudo e infantilmente vi sonhos criarem asas e voar sem mesmo ensiná-los o ritmo do mundo lá fora. Hoje, tenho a oportunidade de olhar bem no fundo dos meus olhos, enxergar cada pequena letra desenhada e me entregar só ao meu corpo, ao meu prazer, a minha fé. Investir nas minhas crenças, desabrochar rosas antigas, florir jardins secretos, raiar o sol abstrato a cada amanhecer sem derramar uma lágrima barata se quer por você, por ninguém, por mim. Calei-me diante das hipocrisias, dessas atitudes desprezíveis, para quê falar, retroceder?! Se ninguém muda, ninguém me escuta ninguém se quer pensa em mudar. Aprende: “eles nunca mudam por você, seus sonhos são seus, ninguém vai lutar por eles ao seu lado, apenas vão te apoiar, não acredite em meras palavras, tempo, tempo? Cadê o tempo que você tanto confiou? Só fez tirar de ti o que te acalmava e te arrastou de uma vez para onde você nunca quis estar, acorda, apenas você pode chegar distante, apenas você escreve a sua história, os outros, os outros? Estão ai para completar a tua vida, viva pra você, por você e divida seu melhor com eles. Já imaginou ter tanta gente assim ao seu lado, tanto amor, tantos abraços, sorrisos? Teu medo apenas é perder o que você nunca teve, ou talvez tenha muito bem guardado e não teve a ousadia de arriscar, ora, arrisque, porque viver nesse mundo assim? Se protegendo, se guardando, se privando a vida não te espera. Vê esse tempo que tanto confiasse ele soube muito bem te passar pra trás, sabe por quê? Você fechou os olhos, a mente, o sorriso, o querer para um único momento da vida. As águas correm, as pedras mudam, a estrada cresce, o caminho se alonga... e você? Perdida, tendo em mãos todo o mapa da vida, o perfeito cega a tua razão, não existe o que passa nos teus sonhos, nos teus pensamentos mais distantes, não nesse mundo real, reage, você vive no mundo concreto, esse mundinho ai é só teu, ninguém entra, ninguém sai, ninguém muda, só teu, traz essas ideias para cá, faz virar rabisco de uma linda melodia, teu vicio agora apenas é buscar a felicidade dentro de ti e mostrá-la de uma vez para cada um que te cerca, te aperta, te sufoca.Tenha amor, ame tudo que há em você, todos os defeitos, as qualidades, tudo. Ame, valorize, ninguém nunca vai fazer isso por você...”
Num último suspiro abafado gritei para todo meu ser refletido ouvir e ele? Apenas me olhou desesperadamente, como um avesso antigo. Virei, fugi, confesso, eu fugi e as músicas me fizeram voltar até aqui e buscar no mais escondido sonhos pequenos, mas que nunca, nunca eu vou perder, não mais, não agora, depois de ver desaparecer no tempo as horas da minha falta.
Monallysa Silva [01h38minh, 10-05]


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