quarta-feira, 18 de maio de 2011

0 Rosas, apenas rosas


Caminhou lentamente e abrigou-se em meus braços, soou como um ruído forte no meu espaço despachou meus medos, minha incerteza, minha desconfiança. Sentiu de uma vez a minha razão, cantou, falou de uma vez ao meu olhar, mostrou o verdadeiro motivo daquela existência, como bela forma, como bela essência. Segurou firme minha mão para nunca mais perder, abriu de uma vez meus olhos para o que eu queria ver, entreguei-me confiante nessa beleza, sinceramente entreguei minha vontade de uma vez em tuas mãos, bem ai, onde fiz morada. Olhou-me atentamente e eu marquei o teu olhar, gravei cada pequeno brilho, sorri, caminhei até você e parei, não sabia agir, não sabia pensar, apenas sabia sentir, apenas isso, como um inimigo esperto. A busca se fez impulso à vontade, o desejo, o afim se fez razão, de repente o relógio parou, as musicas calaram, as letras se apagaram, as luzes escureceram, o sol raiou abusado, simples e abstrato e enfim o momento aconteceu tudo como esperei como busquei como sonhava e agora guardo aqui dentro e nunca vou perder, nunca, porque eu senti ali o que eu mais procurava, precisava, queria...!  
                                       
                                                   Monallysa Silva

terça-feira, 10 de maio de 2011

0 Terceira porta a direita!




Parei por um instante, calei as músicas, rasguei as fotos, queimei as cartas, abri os olhos. Silenciosamente, caminhei contra minha face. Meu olhar refletia um brilho diferente, distante de todos que já haviam brilhado ali. Estava calmo demais, simples demais, sincero demais. Tudo parecia claro, as letras da minha alma passavam refletidas diante da minha pele e eu via minuciosamente cada pequeno detalhe daquelas palavras e contemplava, sorria ao ver escrito ao fim teu nome e uma interrogação, a ironia bateu no meu riso, não tinha sentido, não faz sentido. Não parei, não ia desistir, não ia calar naquele momento. Tudo clareava demais, as luzes refletiam abusadas, na minha frente, as paredes calavam curiosas, não podia fazer mais nada, não tinha mais perguntas não, melhor, eu nunca tinha as respostas. Sorrir gargalhadas sem graça e irônicas para tentar acalmar aquilo que acelerava o pulsar do meu peito parecia segredo, um desejo antigo, uma fonte perdida há tempos. Cada vez mais eu mergulhava naquele texto, encontrava vestígios, revelações... Aumentava minha ânsia de descobrir mais, eu não sabia como, nem porque, mas lá estavam respostas antigas que eu nunca soube procurar, lá estavam segredos ocultos que nem mesmo meu corpo sabia guardar pra mim. Tudo estava ali, nitidamente mostrado, e só agora percebi o quanto desconheço da minha mente, o quanto não sei da minha alma, só agora eu vi que tudo está em minhas mãos, tudo, simplesmente tudo e infantilmente vi sonhos criarem asas e voar sem mesmo ensiná-los o ritmo do mundo lá fora. Hoje, tenho a oportunidade de olhar bem no fundo dos meus olhos, enxergar cada pequena letra desenhada e me entregar só ao meu corpo, ao meu prazer, a minha fé. Investir nas minhas crenças, desabrochar rosas antigas, florir jardins secretos, raiar o sol abstrato a cada amanhecer sem derramar uma lágrima barata se quer por você, por ninguém, por mim. Calei-me diante das hipocrisias, dessas atitudes desprezíveis, para quê falar, retroceder?! Se ninguém muda, ninguém me escuta ninguém se quer pensa em mudar. Aprende: “eles nunca mudam por você, seus sonhos são seus, ninguém vai lutar por eles ao seu lado, apenas vão te apoiar, não acredite em meras palavras, tempo, tempo? Cadê o tempo que você tanto confiou? Só fez tirar de ti o que te acalmava e te arrastou de uma vez para onde você nunca quis estar, acorda, apenas você pode chegar distante, apenas você escreve a sua história, os outros, os outros? Estão ai para completar a tua vida, viva pra você, por você e divida seu melhor com eles. Já imaginou ter tanta gente assim ao seu lado, tanto amor, tantos abraços, sorrisos? Teu medo apenas é perder o que você nunca teve, ou talvez tenha muito bem guardado e não teve a ousadia de arriscar, ora, arrisque, porque viver nesse mundo assim? Se protegendo, se guardando, se privando a vida não te espera. Vê esse tempo que tanto confiasse ele soube muito bem te passar pra trás, sabe por quê? Você fechou os olhos, a mente, o sorriso, o querer para um único momento da vida. As águas correm, as pedras mudam, a estrada cresce, o caminho se alonga... e você? Perdida, tendo em mãos todo o mapa da vida, o perfeito cega a tua razão, não existe o que passa nos teus sonhos, nos teus pensamentos mais distantes, não nesse mundo real, reage, você vive no mundo concreto, esse mundinho ai é só teu, ninguém entra, ninguém sai, ninguém muda, só teu, traz essas ideias para cá, faz virar rabisco de uma linda melodia, teu vicio agora apenas é buscar a felicidade dentro de ti e mostrá-la de uma vez para cada um que te cerca, te aperta, te sufoca.Tenha amor, ame tudo que há em você, todos os defeitos, as qualidades, tudo. Ame, valorize, ninguém nunca vai fazer isso por você...”
Num último suspiro abafado gritei para todo meu ser refletido ouvir e ele? Apenas me olhou desesperadamente, como um avesso antigo. Virei, fugi, confesso, eu fugi e as músicas me fizeram voltar até aqui e buscar no mais escondido sonhos pequenos, mas que nunca, nunca eu vou perder, não mais, não agora, depois de ver desaparecer no tempo as horas da minha falta.

           Monallysa Silva [01h38minh, 10-05]

sábado, 7 de maio de 2011

1 [...]

Faz frio e os ventos lá fora correm desesperados carregando consigo cartas que nunca lhe enviei. Quem sabe a única intenção é te mostrar o que nunca quis falar. Que eu tenha a sorte dessa brisa correr pelo teu caminho, que te carregue os espinhos, que te carregue pra mim. Que minhas palavras te toquem, que minhas músicas te mostrem bem mais que uma mera melodia, que meu olhar te descreva exatamente a minha alma. Pedidos simples para um distorcido movimento, palavras suaves, doces, felizes para uma triste corrida. Que eu possa me alimentar desse segredo, que cada vez meu medo seja igual a nós dois, assim, escondido, perdido, sincero !

                                              Monallysa Silva

sexta-feira, 29 de abril de 2011

0 Amor maior...

Já não se tem paz onde eu mais buscava abrigo
Já não se tem sonho onde eu podia dormir
Já não se tem cor onde a alegria me invadia
Já não se tem música onde as danças eram minhas festas
Já não se tem vontade onde tudo era anseio
Já não se tem força onde tudo era um ringue
Já não se tem prazer onde tudo era curtição
Já não se tem sorriso onde eu dava minhas gargalhadas
Mas se tem esperança enquanto permanecer vivo aquele rastro de amor e em mim as lágrimas que hoje escorrem apenas lavam meus pés para um novo começo onde tudo será arte...

                Monallysa Silva

domingo, 24 de abril de 2011

0 Assumo, enfim...


Pediram-me um instante calado para que fosse mostrado todo esse amor. Despistei a tua rosa do meu caminho para não machucar-me nos espinhos. O pedido feito naquele momento soou como um distante pássaro a cantar. O sol raiou abusado, brilhoso e abstrato despertando teu ser adormecido que durante o imprevisto sorria calmo. As horas passavam depressa e eu via pela janela o mundo mudar. Amassei as marcas do caminho, apaguei as manchas do teu linho, enfim, livrei a tua alma, libertei a tua história. Encarrego-me de cuidar do teu sorriso, te dar todo o meu carinho e te fazer bem mais feliz. Desculpe-me a pressa ou talvez a verdade, só que na tua parte o meu eu se faz festa e é nessa fantasia que guardo minha timidez para fazer de você meu motivo de um dia acordar.

                                   Monallysa Silva

sexta-feira, 22 de abril de 2011

0 Me escute...me cale !

Viajei diante dos teus olhos
Marquei aquele instante
Terminei, enfim, a minha pergunta
Sussurrei ao teu ouvido
Tudo o que me calava
Prendi teu olhar ao meu
Gravei tua voz aqui, bem perto
Segurei firme tua suada mão
Deitei teu corpo sobre o meu
Adormeci, diante daquele escuro céu
Despachei meus pensamentos mais insanos
Senti tua mão a me consolar
O beijo se fez sossego
No alvorecer daquele lugar
Tão calmo e bonito
Simples, claro, apenas você...

  Monallysa Silva

segunda-feira, 18 de abril de 2011

1 Por hoje apenas...


Fazia frio lá fora, o vento soprava apressado, a neblina encobria meus olhos, a chuva que caia tão livre molhava meu corpo cansado e se perdia diante das lágrimas que pulavam de meus olhos embaçados. O medo me levava para longe, impedindo que eu me deixasse levar pelo som da musica que tocava repetidamente, me causando o caos, náuseas, me dando vontade de você, como se fosse o ultimo desejo, como se tudo fosse teu beijo, como se tudo fosse nós dois. A cada instante que se passava o verde da estrada se fazia incolor e eu perdia calada, a vontade de seguir. Meu rosto pálido se perdia naquela névoa, e eu já não sabia onde estava, sem rumo, sem curso, sem vontade.
Mudamos nossos sonhos para pequenos atos dispensáveis, tanto faz que seja, meus pés estão doendo, quero parar agora, parar por hoje, parar por você. Olhos fechados, esperando passar aquele escuro transparente, que impedia minha visão. Só queria teu abraço agora, e onde se encontra teus braços pesados e cansados? A única verdade que me resta é saber que vivi pro seu amor, me prendi ao teu passado, me busquei no teu beijo calado e só encontrei respostas em tuas músicas. Vou destruir minhas relíquias, que adormeça meus sonhos, que descanse meu pensamento, me deixa em paz por hoje, só por essa noite. Fantasiei tanto, que me cansei dos meus prantos, quero apenas entender o que se passa comigo, que seja bom, que seja feliz, e onde tiver amor que eu encontre meu lugar!
  
                                                      Monallysa Silva